“A alma russa’ é relançado e demonstra uma nostalgia bucólica de Gogol – na verdade – Estadão

RIO – A juíza Daniella Alvarez Prado, 35.Th tribunal Penal, recebeu esta terça-feira, 22, a reclamação é ampliado, o Ministério Público contra 25 acusados de envolvimento no sequestro e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 14 de julho, na Favela da Rocinha. Ela também decretou a prisão preventiva de sargentos Gonçalves dos Santos e Lourival da Silva e o soldado Wagner Soares do Nascimento. Outros dez policiais foram presos.

“Os crimes cobrados são de uma natureza e de cara séria de toda a sociedade na medida em que as Unidades de Polícia Pacificadora, como o nome indica, foram criados com o objectivo de apaziguarem comunidades dominadas por gangues e coibirem o tráfico ilícito de estupefacientes. Ao contrário de sua natureza, e um dever para com a integridade de qualquer cidadão, o acusado (…) deveria ter se tornam criminosos como os criminosos que estavam perseguindo”, escreveu o juiz.

Anteriormente, o Ministério Público acusado 15 outros policiais militares, além de dez relatado inicialmente. Procuradores são detalhadas as torturas, e identificou quatro PMs que teriam tido participação direta no sufocamentos e choques elétricos supostamente aplicado sobre a vítima. De acordo com o procurador Carmen Eliza de Carvalho, a partir do testemunho de cinco policiais que cooperou com a investigação, foi possível mostrar como os participantes da tortura, os soldados Anderson Cesar Soares Maia e Douglas Vital, sgt Reinaldo Gonçalves dos Santos, e o tenente Luiz Felipe de Medeiros.

Todos os 25 vai responder por crime de tortura. O MP também acusa 17 policiais para ocultação de cadáver, 4 por fraude processual, e 13 por formação de quadrilha. O promotor explicou a sequência de fatos que teriam levado à morte de Amarildo. Ele tinha 43 anos de idade, quando ela desapareceu. O corpo nunca apareceu. O pedreiro estava em um bar na Rocinha quando ele foi levado por PMs da UPP, no topo da favela. O objetivo, segundo ela, era fazer com dizer onde estariam as armas dos traficantes.

Sob as ordens do comandante da UPP, major Edson Santos, os PMs levaram Amarildo em uma sala da sede, ainda de acordo com a denúncia do Ministério Público. O major teria dividido os PMs entre os torturariam Amarildo e que eles iriam fazer a segurança. Os outros 12 policiais seria dentro de um contêiner, sem ser capaz de sair.

Asfixia. Os soldados Maia e Vital, o sargento Gonçalves e tenente Medeiros aplicadas técnicas de tortura. A denúncia relata que o chefe dos maçons, foi afundado em um balde com água. Ele teria sofrido até mesmo asfixia com um saco, além de choques com armas teaser. Percebendo que Amarildo morreu, a polícia teria enrolado o corpo em uma capa da motocicleta. O cadáver foi retirado da UPP através do telhado e arrastada para a floresta que fica nos fundos, diz o MP.

Os promotores não foram capazes, até agora, para descobrir o que foi feito do corpo da vítima. Dos 25 PMs, 8 eram emoldurados por omissão – seria capaz de parar a tortura e eles não fizeram nada. O promotor afirma ainda que os principais cometeu fraude processual duas vezes. O relatório não foi capaz de localizar os advogados do denunciado.

A nova edição da Alma russa (Editora 34, tradução de Rubens Figueiredo), o escritor russo de origem ucraniana Nikolai Gogol (1809-1852), introduz-nos à prova a Alma russa: O Espelho e a Estrada, Donald Fanger, professor emérito da Universidade de Harvard e autor do livro a Criação de Nikolai Gogol. Além do romance, ou melhor, do “poema”, como Gogol foi chamado, ao longo do qual Tchítchikov e os proprietários de terra são os personagens principais e as amostras do caractere do russo e o princípio de que Tchítchikov toma posse de seu capital é ambíguo, que consiste apenas de palavras em um pedaço de papel – a lista ligada dos servos mortos (almas dos mortos) que ele comprou, Fanger acredita que “o enredo é engolido pelas imagens e oprimido pelos detalhes. (…) O romance escapa para a paisagem de beira de estrada ou de casa; propriedades rurais e seus proprietários são de países, ilhas no meio do oceano; cada casa é concebido como um ambiente autodelimitado, com o seu colorido local, o particular; como é apropriado em uma viagem, o princípio geográfica vem para a frente, sendo o personagem representado, principalmente, como um alívio aumento da paisagem. (…) O poema convergem para o conceito de espaço de um panorama; a prosa torna-se um atributo da terra.”

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É como se as Almas Mortas, cuja trajetória narrativa começa e termina na estrada, fazer um mosaico de soslaios os nômades do Tchítchikov; é como se, em vez de lançar o olhar como uma rede de geografia múltiplos da Rússia, a fenomenologia da paisagem abrangeu a própria estrada narrativa, de modo a transformar a sensibilidade de Tchítchikov em um anteparo para as impressões (muitos caminhos) que serão sobrepostos com profunda beleza. Vamos ver, então, que o narrador gogoliano – o andarilho do olhar – nos diz: “Então a cidade foi deixada para trás, logo atraiu, de ambos os lados da estrada, as ninharias a que estamos acostumados: morrinhos, florestas de abeto-árvores, arbustos baixotes de pinheiros jovens e raquitismo troncos queimados de pinheiros velhos, esfoliação, bravo, e outras bobagens semelhantes. Apareceu aldeias que se estendeu como cadarços, construídas como se fossem antigas pilhas de madeira, cobertas por telhados de cinza, abaixo do qual não foi ornamentado de madeira esculpida no beiral, que acabou com a aparência de toalhas de banho bordado de missangas. Alguns mujiques, como de costume, bocejavam, sentando-se nos bancos em frente aos portões, em seus casacos de pele de carneiro. O camponês, face a gordura, e os seios enfaixados, olhou através das janelas do primeiro andar; o windows no fundo, um bezerro teve uma briga contra ele, ou um porco, colocar para fora o seu focinho cego.”MP denuncia mais 15 policiais pela morte de Amarildo   Brasil   Estadão

A diferença de um Fiodor Dostoievski (1821-1881), cujas obras são vistas pela fortuna crítica como um paisagismo dos estados convulsos e escatológica da alma, de Nikolai Gogol derramar suas almas mortas para a personagem da vivaz e fatores abióticos da Rússia profunda, trazendo à tona um mosaico de folk leitores na cidade no momento do capitalismo em ascensão (a primeira metade do século 19), começou a cair. Um espectro de nostalgia bucólica rodada, o romance de Gogol, ambiente rural e que a Rússia tende a comunicar ao Brasil, já que, apesar das diferenças, ambos os países periféricos passaram por processos de modernização, êxodo rural e urbanização tardia em comparação com as nações de capitalismo central. Que é como Nikolai Gogol, e suas Almas Mortas parecem ter dado origem a toda a nostalgia do chilreio dos pássaros, o galo da aurora, e de pés descalços sobre o orvalho da manhã; o moedor de café, juntamente com a mesa de madeira rústica e a saudação com o chapéu de palha o camponês de volta na fazenda (“Taaarrrde!”); o coador de pano para café (muitas vezes um meio de idade), e das cinzas ainda fumegantes do fogão a lenha; o doce de abóbora com cravo da bisavó e dos acordes dos grilos, quando o escuro começa a cair; o bule de café quente, leite quente, cheia de creme de leite em caneca de alumínio tecida grande-avô; a bênção e o beijo de boa noite da avó antes de dormir pode vir sobre o travesseiro de pena de ganso (ou teria que ser galinha?).

No final de seu ensaio sobre Gogol, Donald Fanger cita o poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321), para quem os livros devem ser explicadas para além do sentido literal de suas letras. De acordo com Fanger, o poeta florentino fala sobre as dimensões da alegóricas (“o significado oculto sob o manto das fábulas”), moral (“para o benefício de si e de os descendentes”) e místicas (“quando um livro é espiritualmente explicado”). Assim, a nostalgia bucólica russo Alma alcança o status de uma ontologia do tempo perdido. A jóia em detalhe, de Gogol, tenta frear o fluxo de irredimível tempo com o mosaico (e carinho) de memória, o canto fúnebre de uma Rússia que, enquanto em agonia, ainda entoa a paisagem (e quebrar) de seu passado.

*É doutor em letras na USP, com pós-doutorado em Literatura russa pela Northwestern University (EUA)

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