Novidades no Ensino Médio

Como garantir uma base de excelência para todos, mas dando ao aluno a escolha de seu caminho formativo

 

Ampliação da carga horária, estabelecimento de uma base comum de conhecimentos e flexibilização do restante do currículo, de acordo com o que o aluno escolher para sua formação. Em resumo, é isso que determina a Lei Federal 13.415, a lei da Reforma do Ensino Médio, sancionada em fevereiro de 2017. Mas o mesmo pode ser dito, também, de algumas mudanças que o Colégio Albert Sabin vem efetuando há algum tempo – e de outra grande novidade, a ser implementada no próximo ano – em sua proposta pedagógica para o Ensino Médio.

Começando pela maior mudança de todas: a partir de 2019, a 3ª série do Médio do Sabin será cursada em período semi-integral, das 7h10 às 15h30, totalizando uma carga horária obrigatória de 1.450 horas no ano. Somadas às 1.150 horas por ano já oferecidas na 1ª e nas 2ª séries, o aluno do Sabin terá recebido, em três anos de Médio, 3.750 horas obrigatórias de aula. Para efeito de comparação, a nova Lei determina que as escolas brasileiras ampliem progressivamente a carga horária mínima de seu Ensino Médio, das atuais 2.400 horas (800 horas/ano) para 3.000 horas (1.000 horas/ano), até o ano 2022. (A Lei também prevê uma ampliação subsequente para 1.400 horas/ano, mas nenhum prazo ainda foi estipulado para que se atenda a essa segunda meta.)

Com o período semi-integral, a 3a série do Sabin deixa de ter o Módulo Especial de Aprofundamento. Na sequência das tardes de segunda, terça, quinta e sexta, a partir das 15h30, o Colégio continuará oferecendo o Programa de Eletivas, inaugurado com sucesso este ano. As tardes de quarta-feira seguem reservadas para as Aulas-Tema – palestras de professores do Sabin ou de especialistas convidados sobre temas da atualidade.

Coordenadora pedagógica do Ensino Médio, Áurea Bazzi explica as razões que levaram o Colégio a pôr fim ao Módulo de Aprofundamento da 3ª série (os Módulos se mantêm para a 1ª e 2ª séries), encerrando, dessa maneira, um dos programas mais longevos da história do Sabin. “Já vínhamos fazendo ajustes na estrutura dos Módulos há alguns anos, sempre para dar mais opções facultativas para o aluno construir sua formação de acordo com seus interesses”, diz Áurea.

Assim, enquanto a participação nos Módulos exigia, necessariamente, a revisão e o aprofundamento de conteúdos das sete disciplinas integrantes – Biologia, Física, Geografia, História, Matemática, Português e Química –, iniciativas mais recentes, como as Aulas-Tema, em 2014, o Programa Mais Foco, em 2016, e o Programa de Eletivas, neste ano, ofereciam aos alunos oportunidades de se dedicar a áreas específicas de sua escolha. “A base daquelas sete disciplinas ainda é fundamental”, diz a coordenadora, argumentando que elas ainda são cobradas nos principais vestibulares. “Se a maioria dos candidatos ao curso de Direito têm facilidade com História e Geografia, provavelmente as provas de Física, Química e Biologia serão um diferencial”. Até por isso essa base geral continuará sendo contemplada na proposta pedagógica da 3ª série; na prática, é como se o Módulo Especial de Aprofundamento tivesse sido absorvido pela carga horária ampliada do período semi-integral. E o fato de o material didático das aulas regulares e dos Módulos ter sido unificado este ano – são as apostilas do Sistema Poliedro – já indicava uma continuidade orgânica entre ambos que o Colégio queria ressaltar.

“Essa coesão sempre foi importante para nós”, diz a diretora pedagógica do Sabin, Giselle Magnossão. “Inclusive, no passado, já foram testados professores externos para os Módulos, mas percebeu-se que, com a mesma equipe docente, o vínculo entre professor e aluno fica mais forte. O professor se sente mais valorizado pela escola e, pessoalmente, mais motivado a ajudar o aluno. Ele abraça o desafio de preparar o aluno para o vestibular”.

Para Giselle, os ajustes implementados no Sabin nos últimos anos mostram-se não apenas alinhados às mudanças recentes na legislação brasileira como condizentes com a filosofia na qual o Colégio sempre se baseou: oferecer uma base de excelência a todos, mas também promover a autonomia de cada aluno, com a possibilidade de caminhos formativos distintos. “É importante lembrar que, mesmo com a carga horária ampliada da 3ª série, nossas aulas regulares, obrigatórias, sempre foram apenas uma parcela da educação oferecida aos alunos, complementada por diversas atividades extracurriculares que eles têm à disposição desde o Ensino Fundamental, como o Programa Sabin+Esportes&Cultura, os Módulos Preparatórios para Olimpíadas Acadêmicas, entre outras”, diz a diretora.  “Nesse sentido, entendo que não estamos fazendo um movimento em resposta à Reforma do Ensino Médio, mas em consonância a ela”.

 

Uma história de qualidade

Nos 25 anos do Sabin, o projeto do Ensino Médio passou por diversos ajustes, todos em busca de garantir qualidade crescente de ensino e de dar aos alunos cada vez mais autonomia na definição de seus caminhos formativos. O histórico dos Módulos de Aprofundamento e de outros programas extracurriculares evidencia essa trajetória.

1994: Primeiro ano letivo.

1996: Início dos Módulos de Aprofundamento – aulas exclusivas para a 3ª série, ministradas pelos professores no contraturno. Material preparado pela própria equipe.

1998: O Sabin experimenta professores externos para os Módulos. Entre 2000 e 2001, as aulas chegam a ocorrer fora do Sabin, no Colégio Anglo de Osasco, por meio de convênio. O material didático passa a ser contratado de diferentes sistemas de ensino.

2002: O Sabin reassume a gestão dos Módulos, que voltam a se dar no Colégio, com o mesmo corpo docente do Ensino Médio. Abertura dos Módulos para 1ª e 2ª séries.

2005: Início do Módulo de seis dias, para alunos da 3ª série com maior rendimento.

2007: Pela 1a vez, o Sabin entre as 10 melhores do Enem (resultado divulgado em 2008).

2014: Aulas-Tema – as tardes de quarta ficam reservadas para palestras sobre temas diversos da atualidade, de professores do Sabin ou convidados. A participação de alunos é voluntária.

2016: Programa Mais Foco – aulas extras após o Módulo Especial (da 3ª série), com conteúdo mais avançado, para alunos com interesse específico (vestibular de Medicina, provas do ITA, etc.).

2018: Programa de Eletivas – reduz-se a duração do Módulo Especial (da 3ª série), e são oferecidos, na sequência, cursos diversos. Material Poliedro passa a ser usado também nas aulas regulares.

2019: 3ª série em período semi-integral – os concluintes do Ensino Médio passarão a ter aulas regulares das 7h10 às 15h30. Na sequência, segue acontecendo o Programa de Eletivas.

Isso aconteceu em 30 de outubro de

O dia do Comerciário

De 2007 , o Brasil foi confirmado como sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014

2003a Corrupção no governo Lula: a Operação Anaconda, lançado pela Polícia Federal, foi o juiz federal Rocha Mattos, sob a acusação de venda de sentenças

1988 – Esporte: Ayrton Senna venceu o primeiro campeonato mundial de Fórmula 1 no Grande Prêmio do Japão

1953general George Marshall, o criador do plano de recuperação económica da Europa no pós-guerra, recebeu o prêmio Nobel da Paz, juntamente com Albert Schweitzer, teólogo, filósofo e músico alemão

1938 – Transmissão de rádio da peça “A Guerra dos Mundos”, de Orson Welles, desencadeou pânico na costa leste dos Estados Unidos

Pesquisa e texto: Marina Paula Leite Novaes

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Pesquisador brasileiro oferece uma interpretação alternativa de Dostoiévski – na verdade – Estadão

O trabalho de Dostoiévski e a Dialética: o Fetichismo da Forma, da Utopia como Conteúdo (Editora Hedra), escritor, professor e pesquisador Flávio Ricardo Vassoler, emerge com uma força que é de extrema originalidade e controvérsia. Aqui é a avaliação de Susan McReynolds, um especialista na obra de Fiodor Dostoievski (1821-1881), e professor de Literatura russa da Universidade de Northwestern (EUA) – a instituição pela qual Vassoler fez sua pesquisa – e o crítico literário Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio.

Durante a entrevista concedida ao de facto, vejamos por que, para colocar Dostoievski, em diálogo com o crítico russo Mikhail Bakhtin; os filósofos do alemão Hegel, Karl Marx, e Theodor Adorno (1903-1969); e o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec, o codificador do espiritismo, Vassoler diz que “Dostoiévski ainda está tornando-se Dostoiévski”.

No livro, você não só reconstrói a tradição crítica em Dostoiévski, na medida em que define o seu âmbito de aplicação. Como esse alcance é relevante para o seu trabalho?

Poderíamos falar em dois momentos fundamentais dessa tradição que foram importantes para que eu era o meu livro como uma obra de contradição: as considerações de Mikhail Bakhtin, Problemas da Poética de Dostoiévski (1929), sobre a possibilidade de o escritor ter erguido uma nova forma literária – romance polifônico integral” – e a complexa relação entre o cristianismo e o socialismo no meio da obra de Dostoiévski.

Bakhtin, com honestidade intelectual, reconhece que o seu livro não consegue demonstrar, no total, como o romance polifônico completa-se. Bakhtin percebe a dialogia – a palavra e as ideias para colocar, e modulada por outra – como condição ontológica dos personagens dostoievskianas. As vozes pertencem a um concerto polifônico. Entrevemos uma crítica velada à ditadura soviética, através do qual as vozes do social não poderia expressar dialogicamente antes da onipresença totalitário. Mas Bakhtin não é examinada sob o signo da contradição. Se você tivesse aproximado dialogia e polifonia da dialética, teria sido possível compreender como ontologia dialógica e do fundo de direitos de autor, a fé e o ateísmo, a compaixão e o niilismo, utopia e distopia são articulados em meio ao trabalho. Neste sentido, eu faço, no meu livro, uma posição incomum no meio da fortuna crítica a ver com a dialética mobilizar as aporias e deficiências que Bakhtin não conseguiu superar, recebendo o que conceituo como a dialética entre o polifônico. Eu proponho, portanto, uma agregação para o projeto que o crítico russo começou há pouco menos de um século.

Falar, então, sobre a relação entre o cristianismo e o socialismo na obra de Dostoiévski.

“Se Deus não existe, tudo é permitido”: o aforismo atribuído a Ivan Karamázov faz-nos compreender que, para Dostoiévski, a morte de Deus e a não-existência da eternidade levaria a uma vacuidade de ética que só você poderá inflar o egoísmo mais teimoso. Em termos de ateus, Dostoievski pode ser lido como a quintessência da vontade de poder e do caos: o assassinato de Crime e Castigo: o ressentimento, Memórias do Subsolo; extorsão, estupro, suicídio, pedofilia, em Os Demônios; parricídio em Os Irmãos Karamázov. Sem Deus, o (suposto) altruísmo socialista seria revertida em opressão e barbárie, assim como os revolucionários chegar ao poder. Dostoiévski trouxe à tona tais reflexões décadas antes de o horror de stalin. Mas, como eu dar uma olhada no o a partir da antítese espiritual em Dostoiévski, se Deus não existe e tudo é permitido, Deus teria chegado a existir. O movimento da história, o que teria o potencial de superar o niilismo com base no resgate das noções de ontologia do ser social e a compaixão, a comunhão e a eternidade. O impulso para o utópico terra – a vinda do Éden – faria sentido se essa vida foi mais um passo na longa, contraditórias e eterno processo de “cura do espírito”.

Neste conceito, o seu livro mais perto de Dostoiévski e de Hegel, e Allan Kardec, outro movimento incomum em face da fortuna crítica. Qual é a influência deles para a obra de Dostoiévski?

A influência exercida pelo idealismo alemão de Hegel sobre o meio intelectual russo é um ponto pacífico entre os estudiosos. A contribuição de allan Kardec para as investigações do espiritual, o escritor é um caminho de controvérsia – e ainda pouco explorada. O pesquisador Rudolf Neuhäuser, Universidade de Klagenfurt, publicou um artigo no jornal Dostoievsky Estudos (1993), alegando que Dostoiévski ler em O Livro dos Espíritos (1857), de allan Kardec. O escritor fala sobre o espiritismo, com um misto de dostoievskiano de admiração e repulsa, em seu Diário de um Escritor, em 1876. Mas, além do contato imediato de Dostoiévski com Kardec, procuro analisar, em diálogo com o conto O Sonho de um Homem Ridículo, a sobreposição filosófica que fazer Dostoiévski, de Hegel, e Kardec entrevejam uma sensação de que o redentor a história, de modo que a (in)finitude da vida devem reconciliar suas feridas e os detritos sob o signo da utopia e da eternidade.

Como você espera que a recepção da obra?

Espero que minhas contribuições pode apertar certas leituras decantadas – e muitas vezes dogmático – que só aproveitar o escritor russo e, agora, como uma coroado niilista, mas como um apóstolo acusação de ortodoxia. Se a forma em Dostoiévski tem o potencial para se lembrar (e ressignificar o processo de coisificação das pessoas e fetichização da mercadoria; se o conteúdo das vozes dostoievskianas ” ( … ) estende-se pela razão de que a história e a eternidade tornar os cruzamentos, pode ser o tempo para compreender Bakhtin, quando ele afirma que “Dostoiévski ainda tem de Dostoiévski”.

*Caio Sarack é mestre em filosofia pela USP e professor do colégio Sidarta e de Nossa Senhora do Morumbi